importância da educação musical no ambiente hospitalar

           Este texto é um breve relato sobre a minha experiência no Mestrado em Educação Musical na UFRJ, esta pesquisa foi norteada pelas seguintes perguntas: O que podemos dizer sobre a metodologia musical aplicada neste ambiente diferenciado? O que a Educação Musical contribui para o desenvolvimento de uma criança hospitalizada? Como trabalhar com a Educação Musical numa faixa etária tão abrangente e com pessoas de estados físicos e emocionais variados? Como desenvolver o plano de aula para uma turma que se modifica a cada semana?  Qual o material pedagógico supre a necessidade da Classe Hospitalar? Podemos dizer que é ensino musical coletivo? Por que é Educação Musical e não Musicoterapia?   

      No Brasil, segundo Fonseca (2000 p.9) a pedagogia hospitalar se reparte em três etapas de ensino: classe hospitalar, brinquedoteca e recreação hospitalar.

      Desde o início da classe hospitalar a música foi utilizada como forma de recreação no momento de leitura, nas atividades da brinquedoteca e/ou em atividades específicas de algumas disciplinas como por exemplo: o ensino da língua inglesa.

            Entretanto, defendo que a música vai além de momentos lúdicos e por ser um conteúdo obrigatório no ensino básico, os alunos enfermos tem o direito de dar continuidade as atividades musicais escolares mesmo no ambiente hospitalar.

            Ao pensar no plano de aula para o ambiente de análise, encontrei algumas peculiaridades como: a quantidade de alunos/pacientes de 0 à 18 anos e seus acompanhantes estarão presentes na hora/aula; estando ou não medicalizados, tristes devido a rotina hospitalar que é monótona, exaustiva, angustiante devido à espera de resultados, medos de procedimentos ou até da morte, saudades dos familiares, da casa, da escola, das brincadeiras, do mundo externo e ainda preocupados com as situações fora do hospital; além de não sabermos o que cada aluno enfermo aprende sobre música em sua escola de origem.

            Sendo um ensino musical coletivo, busquei então trabalhar com aulas temáticas como por exemplo: festa junina.

            Antes de começar as aulas, tinha um encontro com a terapeuta ocupacional Márcia de Giovanni Pache para obter informações como: a quantidade de crianças, faixa etária, estado físico de alguns para assim adequarmos a aula do dia e também fazer a ponte entre a ala pediátrica e classe hospitalar.

            Observei que no primeiro instante da aula era importante termos uma canção que valorizasse a identidade de cada aluno e acompanhante presente, já que ao estarem fora da sua casa e escola, era uma maneira de humanizarmos aquele instante de atividade escolar.

            Ressalto que foi ensino de música e não musicoterapia, porque o foco era a apresentação do conteúdo musical e as atividades musicais pedagógicas. A aula ocorria no auditório com os alunos/ pacientes e acompanhantes presentes.

            O objetivo maior era desenvolver aulas e entender qual o papel da educação musical nesta unidade e o que este ensino traz de benefícios para as crianças, para as mães e para a equipe de saúde.

            Busquei ao final desta averiguação ter subsídios que servissem de auxílio para pesquisadores e professores interessados neste tipo de projeto educacional, abordando a importância da Educação Musical na classe hospitalar e o quanto seria benéfico a implantação em todos os hospitais.

            Em suma, a música pode fazer diferença seja no aspecto terapêutico e/ou educacional.

0 Comments

leave a comment